Absorvi todo o seu amor!

Publicado 11 de fevereiro de 2011 por nesselugar

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Eu tenho uma memória muito boa e isso às vezes é bom, às vezes é ruim. Lembro como se fosse hoje. Cada palavra, cada gesto.

Sempre tive mais amigos do que amigas, sempre me senti bem ao lado de amigos do sexo masculino e não sei porquê. Talvez porque na maioria das vezes eu era a única menina da rua, talvez porque eles me entendiam e me aconselhavam melhor do que as meninas. E sempre que eu penso nisso, eu acredito cada vez mais que eu deveria ter nascido homem.

Havia conhecido novos amigos e como sempre eu andava com eles pra cima e para baixo. Fazia aqueles programinhas de passear na cidade, assistir filme, bagunçar por aí.

Um belo dia a luz laranja do msn pisca pra mim. E era você, que eu nunca tinha conversado na vida. Só cumprimentava por educação, porque eu era amiga do seu irmão e freqüentava sua casa.

Você me perguntou se eu tinha alguma coisa com o amigo do seu irmão. Te expliquei meio por cima, e a partir daí começamos a nos comunicar mais freqüentemente, pelo msn. Um dia eu estava na sua casa, mais precisamente no quarto seu e dos seus irmãos. Você tinha acabado de sair do banho e chega ao quarto enrolado em uma toalha branca.  Eu disse um ‘oi’ e continuei conversando com os meninos.

Outro dia saí correndo da escola e te vi do outro lado da rua sentado com seu amigo. Aquele ‘oi’ de longe já bastou. Eu estava com pressa, uma amiga minha estava precisando da minha ajuda.

Aos poucos, com o tempo você começou a se aproximar e a sair com o nosso grupinho. Três garotos e só eu de menina. A gente se dava bem e isso que importava.

Os programinhas continuaram: filmes, teatro, bagunças pela cidade, etc.

Amigo secreto do nosso grupo de teatro. Você perguntou como estava indo meu namoro. Oi?  Eu não namoro… “Ah, e o tal do Caio, aquele do seu Orkut?” Olha desculpa, mas eu preciso rir. “Por que? Ele não é seu namorado? Está escrito no seu relacionamento, casada.” Ok, olha só, é tudo uma brincadeira. Esse Caio, mora no Rio de Janeiro e ele só é meu marido virtual. Sim, quando não se pode ter um marido de verdade, tenha um marido virtual. E você falando que nada era impossível, que eu poderia namorar à distância. Não, isso é loucura. “Entendi, pensei que você realmente namorasse, me enganei.” Sim, e o seu namoro, como está? Sempre via você e sua namorada na sua casa.  “Terminamos” Poxa, que pena! É por isso que agora você está saindo mais com a  gente…

Natal. “Fran, posso te fazer uma pergunta?” Pode. “Você ta saindo ele?” Não… “Ah, então, é que eu estou afim de você, será que eu teria uma chance?” Putz,e agora? O que eu falo? Eu não quero ficar com ele…

‘Então, eu não sei. Amanhã eu vou viajar, eu posso te dar a resposta quando eu voltar?’ “Pode, mas e se você encontrar alguém por lá? E se eu encontrar alguém por aqui? “Se você tiver mesmo afim de mim, você vai me esperar…” Ufa! Naquela mesma noite, quando a gente foi se despedir, você me abraçou e disse: ‘Não esquece de mim não e boa viagem amanhã’

Eu estava surpresa, porque eu não imaginava que você estava afim de mim. Não mesmo. Só os sinais não bastaram, foi preciso você falar. E mesmo assim eu pensei: ‘eu vou viajar, ficar 15 dias fora e ele vai se esquecer disso’ Eu não estava nem um pouco afim, ou não estava acreditando em você, não sei.

Fui pra praia, os 15 dias (ou mais) se passaram, voltei. Abro meu Orkut e tem um scrap seu dizendo: “15 dias é pouco, mas na prática parece uma eternidade… não esquece de mim. Te amo bikin.” Você mal me conhecia e já me amava? E convenhamos, eu não sou uma pessoa tão amável assim…

Os dias foram passando, os recados no Orkut aumentado, depoimentos e você se aproximando cada vez mais. Você só queria uma chance. UMA chance.  Eu não queria por um principal motivo: eu estava ficando com o nosso amigo, do nosso grupinho. E eu achava que estava apaixonada por ele… mas ele estava confuso, não sabia o que queria. E nem eu.

Não sei, mas vou descobrir o que eu quero. Mandei um sms: ‘passa em casa hoje pra gente conversar…’

Eu estava decidida a dar uma chance a você. E eu sei que o que você queria não era apenas um beijo, era mais que isso. Queria algo sério.

“Olha, eu vou ser sincera com você. Eu não gosto de você, como você gosta de mim, mas eu posso aprender…eu posso tentar” Você não pensou duas vezes e aceitou a minha idéia, mesmo sabendo que eu não correspondia aos seus sentimentos. No outro dia abro meu Orkut e tem um depoimento: “Isso eu vou falar por aqui ta? Estou com vergonha, minha mão ta suando.. Você aceita, sabe.. aceita namorar comigo?” Assim, sabe..

É isso! Eu já estava decidida. Sim, eu aceito! Aliás, já aceitei, pode mudar o seu relacionamento aí do Orkut…

E você me transmitiu toda sua felicidade e disse: ‘pena que eu não posso abraçar você agora, vou imprimir uma foto sua’

O tempo foi passando, eu fui descobrindo a cada dia a pessoa maravilhosa que você era, fui aprendendo a gostar de você e a te amar. Aprendi a retribuir tudo o que você sentia por mim. Um amor construído com o tempo. Tudo estava sendo muito novo pra mim, nunca tinha namorado, nunca tinha sido tão amada assim. Aliás, nunca tinha sido verdadeiramente amada. Pra completar a minha felicidade, eu queria uma aliança. É apenas um anel, não significa nada, mas pra mim significava: o amor que eu tava sentindo, eu queria que todos soubessem que eu estava namorando, era amada e amava.  Não ia pedir, mas estava na expectativa de que eu ganharia.

Estava chegando perto o dia do meu aniversário, você chega em casa com um embrulho enorme vermelho. Logo pensei: ‘não é a aliança…’ Abri o embrulho e lá estava um coelhinho de pelúcia, todo fofo. Eu amei e dei o nome à ele de Mimo em homenagem ao meu gato que morreu.

“Parece que você não gostou…” Eu gostei s.. meu Deus! Nas orelhas do coelho estavam as alianças e naquele momento meu coração bateu mais forte. Você se ajoelhou e disse: “agora é oficial, quer namorar comigo?” Sai desse chão, não precisa ajoelhar, é claro que eu aceito! Quero você do meu lado pra sempre.

Fomos pegando as manias um do outro. Eu nunca vou esquecer o seu jeito de falar com seus amigos: ‘os azia, José, jusa…as palavras que você inventava e faziam parte do seu vocabulário noite e dia: zicando, queimação, mortal de cuesta’

Você me abraçava e estalava minhas costas, era automático. Quando você ia em casa me ver, não dava tempo nem de me falar Oi, você já chegava e já me beijava, na porta de casa, e eu com vergonha de passar alguém na rua e ficar olhando… você dizia que a sua cachorra gostava de mim, apesar dela latir sempre quando eu chegava na sua casa. Mas ela só latia, nunca me mordeu.

A gente passava os finais de semana juntos e você sempre acordava primeiro que eu. Quando eu despertava você estava lá, olhando nos meus olhos, esperando eu acordar pra me dizer um “bom dia!”

Lembro quando você encheu a mesa do café da manhã e disse: “Vamos, come tudo morzão!”

Todos os dias quando íamos nos despedir você dizia: ‘boa noite, dorme com Deus e sonha comigo’

Ah, e você nunca entendeu a minha cara de espanto quando você me dava presentes. E eu sempre dizia a todo mundo que você era exagerado. É que eu acho que eu nunca mereci tantos presentes…você nunca se contentava em me dar apenas um presente, era sempre mais de um. Sem contar quando você chegava em casa com um pote de sorvete de 2 litros, e tomávamos sozinhos. Em um domingo à tarde que compramos um pote de sorvete e chocolate e ficamos na rua, se empanturrando de sorvete com chocolate.

Os depoimentos e recados que você me mandava eu ficava espantada em ver como você era bom naquilo. Em transformar em palavras tudo o que você sentia. Em alguns versos, você fazia com que eu me sentisse a pessoa mais importante do mundo. Pra você. Só pra você.

Um dia estávamos sentados na garagem de casa e você simplesmente me abraçou e começou a chorar, me agradecendo por fazer parte da sua vida. Sim, você me amava. A partir daquele momento eu tive a certeza disso. Eu nunca tinha visto um homem chorar por mim. “A lente não me deixa chorar”

O mais incrível de tudo é que você não conquistou só à mim, mas também a minha família, as minhas amigas. Você realmente é uma pessoa cativante.

Peixe nunca foi o nosso forte, você sempre preferiu suco a refrigerante. E de manga, se possível. Assim como eu, você é viciado em sorvete. Da Kibon. E chocolate, ô coisa boa. Você sempre adoçava minha vida.

Eu estalava seus dedos, te fazia aquela massagem mal feita, de quem não sabe fazer massagem, via você dormir no meu colo, de tão cansado que estava do trabalho. Às vezes, a gente mal conversava, mas você estava ali, comigo. E nem sempre eu dei valor a isso. Queria mais da sua atenção. Foi quando eu aprendi a ser compreensiva, pra não te perder. Detestava ficar sozinha em casa, e você tinha que ir trabalhar, mas eu queria que você ficasse ali comigo, como se não houvesse amanhã e querendo aproveitar cada segundo ao seu lado.

Quando você me abraçava e eu sentia o seu cheiro, era como se eu estivesse no paraíso. Eu podia morrer ali, naquele momento, que eu morreria feliz.

Ah, e como eu posso me esquecer do dia em que você me mandou flores…

O moço que veio entregar errou meu nome e eu fiquei pensando se era mesmo pra mim. E sim, era. Aquelas rosas vermelhas, com um cartão e um coração me deixaram com uma vontade enorme de pular e gritar. Mas eu estava no meu local de trabalho,  poderiam pensar que eu era louca. Te mandei um sms agradecendo pelas flores e dizendo que você era o melhor namorado do mundo. Contei para as minhas amigas, queria compartilhar com todo mundo a minha felicidade. Guardei as pétalas, guardei os embrulhos de presente, os papéis de sorvete, de ovos de páscoa, os cartões, os ursinhos de pelúcia que até hoje habitam minha cama. O Ple-Plé, o Mimo, a Finha, o Quinho. Tudo. Cada detalhe, de cada momento que eu vivi ao lado seu.

Lembro também de quando você me disse: “Se um dia a gente largar, é porque você quis assim, porque eu nunca vou largar de você!” No começo do namoro, você, todo inseguro,  me perguntava todos os dias se eu ia largar de você. Até que eu fiz você tirar essa idéia boba da cabeça. Que motivos eu teria pra fazer isso?

Mas tudo muda. As pessoas, o tempo, as situações os fatos, tudo!  Novos caminhos se abrem na nossa frente, novas aspirações. Sentimos falta de algo que deixamos pra trás e queremos resgatar o tempo perdido. Foi isso que aconteceu. Eu tenho certeza de que você nunca mentiu pra mim sobre os seus sentimentos. Eu enxergava a verdade no seu olhar. Aquele olhar, que me deixava tão sem graça.

Você deixou de dizer que me amava e a insegurança tomava conta de mim.

“Você vai largar de mim?” Eu não tenho motivos pra isso. “Que bom!”

“Você vai largar de mim?” Só se você me der motivos. “Eu te dou algum motivo?” Não.

Você nunca me deu motivos e acho que apesar de tudo, eu também nunca te dei motivos pra isso. O problema nunca foi “nós”, mas “eu” e “você”

Aquele vazio que tinha sido preenchido aqui dentro, tornou-se vazio de novo. O amor que foi construído continuou aqui, porque nada foi forte o suficiente para destruí-lo.

Acho que a gente nunca está contente com nada, apesar de sempre agradecer.

Nossas necessidades são mais fortes que os nossos sentimentos. Nossas necessidades de viver plenamente a vida, sem perder nada. Nem que pra suprir as nossas necessidades, nós tenhamos que passar por cima dos sentimentos.

Você quis se separar de mim. Eu já sabia disso, mas não entendia. Você deu os seus motivos e eu não acreditei neles. Quis descobrir os verdadeiros motivos e descobri: temos que suprir as nossas necessidades. Necessidade de liberdade, de viver tudo. Mesmo que nesse ‘tudo’ não estejam envolvidos os sentimentos.

Sentimento que hoje, eu penso não existir mais. As últimas palavras que eu te disse quando largamos foi: ‘eu não posso ficar implorando pelo seu amor’ E não posso mesmo. Ninguém pode obrigar ninguém a sentir nada. E eu só pude compreender isso, porque você me ensinou a ser compreensiva.

Eu pensei que fosse pra sempre, mas não foi. Descobri que o pra sempre não existe, e se existe, sempre acaba. Por isso temos que aproveitar ao máximo cada dia, sem pensar no futuro. Você vivia me dizendo isso, mas eu toda tola, queria pensar no nosso futuro. O futuro que não chegou e nem vai chegar. Mas eu aproveitei muito bem cada segundo que estive ao seu lado. Suguei todo o amor que você me disponibilizou por medo de acabar. E acabou, mas o que eu pude, eu absorvi. E ele ainda está aqui, dentro de mim, me fazendo lembrar o quão amada e feliz eu fui ao seu lado.

Seu amor está absorvido dentro de mim. Talvez um dia ele seja substituído, mas ele nunca vai sair daqui de dentro. Ele está nas minhas veias, na minha respiração, no meu coração. E ninguém pode tirar isso de mim.

Afinal, você foi meu primeiro amor, meu primeiro namorado. O tempo pode passar, as coisas podem continuar mudando, eu posso conhecer outra pessoa, namorar, casar, ter filhos e você também. Talvez a gente nunca mais se fale, talvez nunca mais nos veremos, mas uma coisa é certa: somos inesquecíveis um para o outro.

Espero que você também tenha absorvido todo o meu amor, assim como eu absorvi o seu. E que tenha sido na mesma proporção.

Talvez você só queira que eu te deixe em paz, que eu não fale mais sobre os meus sentimentos, sobre o nosso namoro que acabou. Talvez você não queira mais saber da minha vida e não queira que eu saiba da sua. Talvez você só queira que o silêncio me diga tudo aquilo que você quer me dizer.

Independente disso tudo, eu finalmente te deixo em paz, te agradecendo por  você ter passado na minha vida, deixado um pouco de você, e levado um pouco de mim. E por todo amor que eu fui capaz de absorver, que me tornou outra pessoa. Serei sempre grata à você, A.A.A.C.

(Francieli Gomes)

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2 comentários em “Absorvi todo o seu amor!

  • Oi, Fran!
    Espero que tenha superado, que a ferida tenha cicatrizado ou, ao menos, deixado de doer tanto.
    O teu depoimento/desabafo foi emocionante. Parabéns pela forma como você relatou o que aconteceu e por ter tido coragem de tocar nas feridas, relembrando momentos. Isso, como você disse, ficará para sempre! É a história de vocês e ninguém poderá apagar ou mudar o que já aconteceu. Deu pra sentir a profundidade do sentimento! 😉
    Beijos, guria! Ganhou uma admiradora! 🙂

  • Olá! Eu superei sim, como tudo nessa a vida a gente supera. Basta ter força de vontade 🙂 Não tem como apagar, nem esquecer tudo isso. Levei e sempre vou levar esse relacionamento como um aprendizado. Obrigado por ter a paciência de ler esse texto enorme. Fico feliz que tenha gostado 😉
    Valeu mesmo!
    Beijos

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